The Casual Vacancy, da nossa querida J. K. Rowling
Adoreeeeeei!!
Nota-se bem que a mulher já estava farta de escrever fantasias e agora dá-nos a provar de vidas bem reais, verdades nuas e cruas sobre a forma das pessoas pensarem e agirem! É a história de uma comunidade que se vê de um dia para o outro com um lugar vago no "parlamento" e das famílias dessa comunidade e da relação entre todos. Ricos e pobres, honestos e dissimulados, mulheres, homens, crianças, todos num rodopio de emoções, descobertas, traições e amores.
Está incrível, aconselho a todos!
Este é um blog de duas irmãs que, como tantas outras coisas, juntas, representam mais do que a sua soma... Por isso, destas duas se fazem três - eu, tu e nós, numa interacção dialéctica cuja responsabilidade está por apurar...
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domingo, 17 de março de 2013
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Livros de volta à prateleira XXI
Já tinha sinceras saudades (e esta aliteração não programada, hem? É a inspiração de Saramago...) de ler algo de Saramago.
E acho mesmo que não podia ter lido algo melhor! Adorei o livro, estou em dúvida se o meu preferido de Saramago é este ou "O Homem Duplicado"...
A história é linda, nada macabra, como se poderá pensar... Saramago dá uma imagem do que aconteceria se a morte deixasse de matar... Confesso que, no início do livro, acho que poderia ter explorado um pouco mais outros lados da questão, dúvidas que se me foram colocando a mim própria enquanto lia o livro e me embrulhava na história... Mas, a partir de meio, mais ou menos, a narração passou a ser completamente irresistível, chegando a ser penosa a hora de terde pousar o livro...
Mesmo não conhecendo quem poderá estar a ler isto, atrevo-me a aconselhar vivamente!
SPOILER ALERT: confesso que não imaginei que o fim pudesse ser assim, mas adorei completamente, principalmente porque, na batalha entre o amor e a morte, esta perdeu, ficando a ganhar... :)
domingo, 16 de janeiro de 2011
Livros de volta à prateleira XX

"Quando Nietzsche chorou", Irvin D. Yalom
Maravilhoso! Deu-me imenso prazer ler este livro, do início ao fim... Dava por mim com um sorriso nos lábios a meio da leitura ou quando o pousava na mesa-de-cabeceira para a noite seguinte... O final é lindo e surpreendente!
Quem se interessa, ainda que leigamente, por temas associados à Psicanálise, deveria ler esta história que, mesclando factos reais com ficção, faz um desenho muito interessante de como terão nascido as ideias que deram origem a este gigante paradigma da concepção humana. Freud é, inclusivamente, uma das personagens deste livro absolutamente deleitoso.
*Gostei particularmente que chamassem "limpeza da chaminé" à técnica de associação livre (não se é real ou fictício, mas achei uma metáfora deleiciosa).*
Não sabia, mas a obra foi adaptada ao cinema - tenho que ver :)
Agora, as já habituais citações (que, nesta obra, são bastantes):
"Oh! A incessante labuta do intelectual, despejando todo este conhecimento dentro do cérebro através dos três milímetros da abertura da íris."
"(...) os medos não brotam das trevas; pelo contrário, são como as estrelas: estão sempre ali, mas ofuscados pelo clarão da luz do dia."
"Era estimulante desabafar, compartilhar todos os seus piores segredos, contar com a atenção exclusiva de alguém que, na maior parte do tempo, entendia, aceitava e parecia até perdoá-lo. Muito embora algumas sessões o fizessem sentir pior, ansiava inexplicavelmente pela seguinte." - e está definida a psicoterapia!
"Perdoa-se aos amigos com mais dificuldade do que aos inimigos." «O que deverá conter o currículo do futuro "médico da angústia"? De momento, posso ter a certeza de uma cadeira essencial - "relacionamento"! É aí que as coisas se complicam." (de facto, esta temática é transversal a quase todas as cadeiras de um curso de Psicologia).
"Existirá tal coisa como um esquecimento activo - esquecer algo não por não ter importância, mas por ser importante demais?" - existe, e chama-se "recalcamento".
"(...) a vida é uma centelha entre dois vácuos (...)"
"A consciência é apenas uma película translúcida que cobre a existência: o olho treinado vê através dela, vislumbrando forças primitivas, instintos, o verdadeiro motor da vontade de poder." - referência ao inconsciente.
"A avidez do tempo é eterna."
"Cada pessoa tem que escolher a verdade que consegue suportar."
"(...) a chave para viver bem é primeiro, desejar aquilo que é necessário e, depois, amar aquilo que é desejado."
"(...) somos compostos por muitas partes, cada qual clamando por expressão. Podemos apenas ser responsabilizados pelo acordo final, não pelos impulsos caprichosos de cada uma das partes."
SPOILER ALERT: Aquilo que Nietsch imagina que suas lágrimas diriam, se falassem: "Por fim livre! Preso durante todos estes anos! Este homem, fechado e seco, nunca me deixou fluir antes. (...) Que bom estar livre! Quarenta anos numa poça estagnada. Finalmente, finalmente o velho homem fez uma limpeza! Oh! Tanto que quis escapar-me antes! Mas não havia saída... até que este médico vienense abriu o portão enferrujado."
Mais uma obra que inspirou um filme (que também ainda não vi, mas não me escapa!). Gostei muitíssimo do modo como o livro está escrito, mesmo os momentos mais descritivos são uma bverdadeira obra de arte em que vale a pena mergulhar. Quanto à história, é simultaneamente incrível e aterradora. Foi um livro que me prendeu absolutamente - desta vez não tenho citações, embora houvesse imensas candidatas, páginas inteiras, até!, mas estava tão embrulhada na história, tão deliciada, que me dediquei ao desfrute absoluto de cada expressão, em vez da análise daquilo que merecia, ou não, destaque no blog. Este não foi tanto um livro de cabeceira, mas mais de comboio - e nem sei como não perdi a minha estação à conta da leitura! Ia acontecendo...!
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Livros de volta à prateleira XIX
Lindo! Maravilhoso!
Uma história linda, escrita de uma forma linda; até as ilustrações são lindas - adorei o livro!
Transbordam as expressões deliciosas, é daqueles livros que dá pena ter de fechar tão cedo...
Se quisesse ser fiel ao meu hábito de transcrever aqui as minhas passagens preferidas, teria que transcrever o livro quase todo (não é exagero)! Por isso, vou, a custo, escolher apenas um dos ditos do avô Celestiano: "O caracol se parece com o poeta: lava língua no caminho da sua viagem."
É uma obra muito bonita, recomendo fortemente a qualquer pessoa que goste de ler: basta gostar de ler - e duvido que seja possível não gostar deste livro...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Livros de volta à prateleira XVI, XVII e XVIII
Gostei muito! Uma história crua mas comovente de um grupo de crianças que, por força das circunstâncias, aprenderam a não depender de ninguém senão deles próprios... Eu fiquei fã de Jorge Amado e, certamente, esta não será a última obra a pousar na minha mesa de cabeceira!
"Notícias do Paraíso" pareceu-me um bom título para as férias! :) Um romance típico de David Lodge, com toda a ironia e todo o sexo e todas as personagens estereotipadas... E isto, também: o cérebro é uma criatura caprichosa e indisciplinada. Nem sempre era possível mantê-lo preso à trela, de modo que passava o tempo em fugas para o mato rasteiro do passado, a desenterrar algum osso bolorento da memória e a trazê-lo de volta, com o rabo a abanar, para lho pôr aos pés. E, ainda, isto: uma máxima atribuída a um francês (...) segundo a qual "50 é uma boa idade, porque quando uma mulher diz 'sim' sentimo-nos lisonjeados e quando diz 'não' ficamos aliviados".
Já tinha visto o filme "My sister's keeper" ("Para a minha irmã"), que se baseou num romance desta autora. E gostei bastante... Mas nunca tinha lido um livro da senhora e não fiquei impressionada... Achei interessante a estrutura do livro, que permitiu apresentar as várias perspectivas que cada personagem tinha sobre a mesma história, pois Picoult deu a (quase) todas a oportunidade de a relatarem na primeira pessoa... Mas, embora compreenda que, se calhar, transformada em filme, acabasse por resultar em algo interessante, a verdade é que a história, relatada deste modo, não me chamou a atenção... Ainda por cima, a tragédia com que o romance começa só se adensa, ao longo da história, e os escassos momentos de paz são isso mesmo... breves momentos... As coisas que se partem - sejam ossos, corações ou promessas - podem voltar a ficar juntas, mas nunca mais ficarão inteiras.
sábado, 16 de outubro de 2010
Livros de volta à prateleira XII, XIII, XIV, XV
Ora vamos lá actualizar isto.. de facto, não acabei de ler o "Praia das maçãs", que tava a ser uma seca e tinhas coisas fixes para ler na lista de espera. Eram elas:
Recomendado pela Carolinda, um livro que não tem nada a ver com o título. História que já deu uma mini-série, conta a vida de uma mulher no verdadeiro sentido da palavra. Com todas as complicações e complexidades que alguém do sexo feminino carrega aos ombros. Fracas, mas resisitentes, mães mas sedutoras, importantes mas minorizadas. Gostei muito, obrigada :)
Recomendado, desta vez, pela Mãe. Era uma vez uma família feliz que teve uma filha com osteogénese imperfeita. E tudo muda apartir daí. Acho que pensamos pouco em como será ter um filho com uma incapacidade e este livro pos-me a pensar em todos os problemas, mas também conquistas e metas envolvidas numa situação como esta. É um livro principalmente sobre amor e amizade que recomendo vivamente. Tem o bónus de estar bastabte dentro da minha área, o que não quer dizer que quem não gostar minimamente de medicina não vá gostar do livro.
A minha escolha para estas férias. Para dizer a verdade, não gostei nada de 90% do livro. Os primeiros 90%, ainda por cima. Mas tem um fim que, embora completamente idiota, fez o livro ter algum sentido. Por isso não posso dizer que não gostei e, para quem o ler, só recomendo que cheguem ao fim. É um estilo Dan Brown, mas muito pior. Não há grande história para além do mistério principal e os acontecimentos sucedem-se de forma tão rápida e tão fora da realidade que chega a ser ridículo.. "Agora você trabalha para a CIA - O quê, mas eu não quero! - Sabe bem do que nós somos capazes.. - Pronto está bem." Enfim, pronto, estou a exagerar, mas vocês percebem a ideia..
Ouvi tanto falar deste livro que tive de ler. Gostei muito, lê-se rápido e é quase como se estivessemos a ouvir alguém contar a história da sua vida. Tanto, que há passagens do tipo: "levantei-me e parecia que ia desmaiar, mas depois... não desmaiei". Aconselhos a todos, principalmente a adolescentes que não sabem o que querem da vida e sentem que não pertencem a lado nenhum nem a ninguém. Vocês não estão sozinhos ;) Além disso, já tinha saudades de ler alguma coisa em inglês que não fosse um livro de estudo :p
Recomendado pela Carolinda, um livro que não tem nada a ver com o título. História que já deu uma mini-série, conta a vida de uma mulher no verdadeiro sentido da palavra. Com todas as complicações e complexidades que alguém do sexo feminino carrega aos ombros. Fracas, mas resisitentes, mães mas sedutoras, importantes mas minorizadas. Gostei muito, obrigada :)
Recomendado, desta vez, pela Mãe. Era uma vez uma família feliz que teve uma filha com osteogénese imperfeita. E tudo muda apartir daí. Acho que pensamos pouco em como será ter um filho com uma incapacidade e este livro pos-me a pensar em todos os problemas, mas também conquistas e metas envolvidas numa situação como esta. É um livro principalmente sobre amor e amizade que recomendo vivamente. Tem o bónus de estar bastabte dentro da minha área, o que não quer dizer que quem não gostar minimamente de medicina não vá gostar do livro.
A minha escolha para estas férias. Para dizer a verdade, não gostei nada de 90% do livro. Os primeiros 90%, ainda por cima. Mas tem um fim que, embora completamente idiota, fez o livro ter algum sentido. Por isso não posso dizer que não gostei e, para quem o ler, só recomendo que cheguem ao fim. É um estilo Dan Brown, mas muito pior. Não há grande história para além do mistério principal e os acontecimentos sucedem-se de forma tão rápida e tão fora da realidade que chega a ser ridículo.. "Agora você trabalha para a CIA - O quê, mas eu não quero! - Sabe bem do que nós somos capazes.. - Pronto está bem." Enfim, pronto, estou a exagerar, mas vocês percebem a ideia..Passou muito tempo, não se ainda li algum pelo meio, se me lembrar depois rectifico a situação :)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Livros de volta à prateleira XI

Adorei adorei!
Finalmente, já andava à procura de um livro assim há algum tempo! Isto de várias autoras colaborarem dá mesmo resultado! O produto final é uma história emocionante, envolvente, super cativante. Dá para perceber que há ali mais que uma cabeça a pensar e a mandar ideias, mas é ainda melhor, ao longo do livro, conseguirmo-nos aperceber qual das autoras escreve que parte. As de Alice Vieira, então, são flagrantes...
O enredo gira à volta de uma mulher complexa e complexada como todas nós. Com um grande mistério pelo meio e um final absolutamente magnifico (por ser tão "whaaat??!"), este é um livro que não podem deixar de ler!!!
*Brigads caroliNda, pelo empréstimo ;)*
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Livros de volta à prateleira X

Uff, finalmente! Este Eça é, sem dúvida, um senhor. O livro dele que eu estudei no secundário foi A Relíquia, mas este é bem melhor. Não pela história, que tem muitas, muitas, muitas, mesmo muitas, partes sem interesse, mas pela forma de escrever, que é absolutamente deliciosa. Porque é que agora já não se usasm palavras como verve? inolvidável? lânguido? e mais umas quantas... Houve, de facto, passagens que me deixaram maravilhada..
Ler este livro é quase uma obrigação, que mais não seja, cultural, por isso, para quem ainda não leu, estão à espera de quê? ;)
E com este faz 8 livros que li desde que iniciámos o blog... credo, que pouco. bem, li outros, mas repetidos...
sábado, 7 de novembro de 2009
Livros de volta à prateleira VIII e IX
Tenho-me esquecido de actulaizar isto!!



É um bom livro, ao estilo dos restantes de Dan Brown. Óptimo para quem gosta de informática e afins, pois a história anda à volta de um código de segurança inventado pela NSA. Acho que os livros deste senhor são super fáceis e rápidos de ler porque, para além de cativar os leitores, há sempre uma corrida contra o tempo e as várias histórias contadas em capítulos encadeados faz com que tenhamos pressa de saber o que aconteceu afinal com este ou aquele personagem.
Só nos falta o novo dele na colecção :)

Um bocado filosófico e abstracto a mais para o meu gosto, mas gostei do fim e isso é bom. Conta a história de um pastor que tem um sonho e da sua luta em ir atrás do que lhe manda o coração. Aconselho a pessoas mais espirituais e hum.. crentes, vá lá...
Dele só ainda tinha lido O Demónio e Senhorita Prim, e gostei mais desse..
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Livros de volta à prateleira VII

Ainda foi desta que fiquei a ler pela noite dentro, sem dar pelas horas passarem, de tão entusiamante que é a história.. Mas serviu bem para as férias, é interessante e fácil de ler.
Conta a história de uma família grega, por alturas da segunda grande guerra, abalada pela lepra, ciúme e traição e ensina-nos como o amor verdadeiro é a maior força de todas. Tem algumas personagens de extremos: muito boazinhas e perfeitinhas em tudo e outras muito mazinhas e burrinhas, o que não gosto muito, mas é dos poucos pontos negativos a apontar. Não tenho bem a certeza se os factos históricos e científicos são verídicos, caso sejam, aprende-se muito sobre a lepra e os estigmas a ela associados então.
Quem já leu, refute, quem não, que leia e depois venha refutar :)
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Livros de volta à prateleira VI

Ao contrário do que eu esperava, as "pequena memórias" são mesmo do autor. Para quem quer ficar a saber mais sobre a infância do Saramago é muito interessante, ele não se poupa a pormenores nem detalhes e há episódios realmente curiosos, até porque ele faz referência a acontecimentos que lhe deram ideias depois para livros. Além disso, há sempre aquelas frases típicas, que são mais bonitas na forma que no conteúdo e este é o único autor que conheço que consegue fazer isso.
Mas, por não ser uma história com princípio meio e fim, com cenas sequencias e com lógica, antes uma narração de factos que não segue qualquer ordem, não é um livro que prenda e me faça estar noites a acordadas só a ler, como já tenho saudades de ficar...
Enfim, veremos que surpresas me esperam n' A Ilha...
sábado, 6 de junho de 2009
Livros de volta à prateleira V

A Alice Vieira é a minha autora favorita e tenho uma colecção bastante completa das suas obras. Os livros que lá faltam são aqueles em que a história se baseia na História, principalmente de Portugal (não sou muito adepta do "aprenda divertindo-se"). O "Promontório da Lua" é um desses livros... Não posso dizer que não gostei, é muito giro e interessante, mas não faz o meu estilo...
Quanto à história, muito resumidamente, é uma narração na primeira pessoa de uma palmeira que está plantada em Cascais há 500 anos e que vai contando o que por lá se passou durante todo esse tempo. Mostra uma faceta dos valores de Portugal, diferente da que se ouve sempre: senhores dos descobrimentos! Também fomos grande dentro nas nossas fronteiras, e é pena que hoje em dia pouco reste do Portugal lutador e revolucionário...
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Livros de volta à prateleira IV

Gostei. Tem personagens a mais, como é costume nesta autora, e a meio do livro já não se sabe muito bem quem é quem e faz o quê, mas pronto... Além disso eu já sabia mais ou menos o que ia acontecer quando se revela o grande mistério do livro, maneiras que não fiquei muito surpreendida lol. Na minha opinião dispensava-se o último capítulo, para ficar tudo um bocado em aberto e podermos imaginar o destino final das personagens.
Mas é um bom livro, de onde podemos aprender alguma coisa sobre nós e sobre as pessoas que nos rodeiam.
já agora, o título original é "Cheque ao Rei", mas não encontrei nehnuma imagem....
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Livros de volta à prateleira III
Demorei que me fartei a ler esta minusculinidade...
Ok, o facto de ter tido mais que fazer, ter tido os friends na mesa de cabeceira e ler uma meia página por noite é capaz de ter contribuído...
Mas a deprimência da coisa também ajudou muito! (e se, como eu, julgavam que a palavra deprimência era, tal como minusculinidade, uma palavra inventada por mim - desenganem-se! :p). Voltando ao assunto: seria de esperar que um livro sobre o suicídio não fosse, propriamente, uma alegria... Mas, de facto, chegar ao fim do dia, sentar-me na cama para relaxar e... ler a análise exaustiva de um caso de suicídio (ou de quem fica depois do suicídio)?! Não dá muita vontade...
Antes de mais... Tratando-se um caso real, custa-me compreender como o Nuno (que deve ser um nome fictício - espero!) e a família autorizaram a publicação deste livro. Envolve tantas coisas da inimidade das pessoas... E será que as partes em itálico foram mesmo escritas pelo Nuno? Nesse caso, deveria tratar-se de uma co-autoria... E a parte em que ele diz que seria fatal para a terapia contar as cenas do Nuno aos pais? Então, por outra, vai contá-las a milhares de pessoas?
Não sei, estas coisas fizeram-me uma certa comichão no nariz... Ainda por cima, tratando-se de um livro para o público em geral, e não técnico... Ah! Espera! Agora fui confirmar e afinal não é a descrição do caso real, mas sim "A partir de um caso clínico geral"... Até que ponto não estará esse caso clínico deturpado, não sei... por isso, é provável que tenha escrito estas coisas todas para nada... Olha, agora também não apago!!! - desculpem... :p
Agora, um comentário como deve ser: acho que pode ser um livro interessante para quem se interessar pela Psicologia, Psiquiatria ou mesmo para quem goste de reflectir, filosofar... Tem passagens interessantes... Nada de mais, porém. Para quem tenha curosidade ou interesse, ajuda a compreender algo do processo de psicoterapia (muito superficialmente, como é óbvio). Quando disse que se tratava de um livro sobre o suicídio, não é bem assim - apesar de a história andar à volta deste tema, trata-se de casos únicos, que não ajudam muito na compreensão deste fenómeno no geral. Na verdade, o livro acaba por abordar muito mais o processo de luto de quem fica. Um dos temas centrais é, também, como seria de esperar, tendo em conta o autor, a adolescência. Um bom retrato, que mostra como diferentes pessoas podem viver esta etapa de modo bem diferente. Questionei-me sobre o título até ao final, e foi bom encontrar a resposta na última página. Agora, não espreitem! :)
Gostaria de vos deixar três excertos, por diferentes razões:
1. Aquilo que de mais importante o meu curso me ensinou: cada comportamento (seja em que plano for) é multi-(in)determinado e está sempre envolvido no passado e na expectativa do futuro: À medida que vão sendo mais bem conhecidos os fundamentos biológicos da doença psiquiatra, mais importante se torna compreender a singularidade da evolução, determinante do modo de reagir específico de cada personalidade. (conhecer a evolução emocional das pessoas (…), descortinar o modo como vivenciaram os pontos críticos do desenvolvimento, compreender como o manejo das emoções se entrecruzou com a história de vida das pessoas significativas, encontradas ao longo do tempo).
2. De acordo com Daniel Sampaio, a (…) intimidade relacional, ingrediente essencial do processo terapêutico, só é possível ser conseguida com algumas pessoas. Serei uma dessas pessoas? Tratar com êxito exige grande disponibilidade do técnico (check!), maturidade conseguida na sua vida pessoal (aaaahhnnnnggg.... quem? eu?...), capacidade de criar proximidade com a pessoa em tratamento (acho que check! :]), compreensão dos seus próprios impasses de desenvolvimento (compreensão, ainda não, apenas consciência de que os tenho, e não são poucos! Isso chega?), noção das partes rígidas da personalidade (de quem? nossa ou do cliente?), possibilidade de se dar e estar atento ao sofrimento alheio (compassion, em inglês) (que remédio, não é? Estar atenta ao sofrimento é coisa que passo o dia a fazer - por isso é que chego a casa e não me apetece muito ler livros como este...). Bem... Parece que ainda tenho um caminhoso jeitoso a percorrer (que surpresa!)... hehe
3. Eu já tenho vontade de ir aos Açores... Podemos chamar-lhe um objectivo de vida, mesmo (eu sei, sou pouco ambiciosa... :p). Isto ainda aumenta a vontade: Um dia, quando fores (…) ao Faial, verás que a ilha de São Jorge parece muito perto, mas não é fácil lá chegar. Os barcos têm de aumentar a velocidade, grandes ondas surgem na passagem, baleias no alto mar, estranhas aves na linha do horizonte, por fim as fajãs e as escarpas da ilha. A tranquilidade dos Açores esconde a lava dos vulcões e os perigos do mar. Emocionante, não é?
terça-feira, 17 de março de 2009
Livros de volta à prateleira II
Nem sei como aguentei as 502 páginas!
Pessoalmente, não sou pessoa para gostar de um romance-livro-técnico, que é o nome que dou às histórias que servem de desculpa para se despejar uma catrafada de informação. Se calhar, por ser assim tão inculta é que uso palavras como "catrafada". Paciência... Romance é romance. É uma estória. Não são diálogos intermináveis e irrealistas para explicar coisas. Se eu quisesse saber coisas, comprava os livros que o autor refere, no final, como pseudo-bibliografia (e já que falo nisso, dava um bocadinho de jeito conhecer, também, o ano e a edição dessas obras... não?).
Para além da catrafada de informação, temos uma deplorável directora de um lar de idosos que, por outras palavras, diz ao filho de uma doente de Alzheimer: não ponhas cá a tua mãe, que a gente aqui trata-os de forma um bocadinho desumanizada.
Ainda, a suposta reflexão final cai em desgraça, na minha opinião. No que diz respeito a valores morais, estávamos a ir tão bem (excepto no que diz respeito à directora do lar, claro!) e depois o homem apenas conclui que "Por mais êxitos que somemos, por mais triunfos que alcancemos, por mais conquistas que façamos, para a última estação está-nos sempre reservada uma derrota". Como é triste não ter Fé!...
Ah! É verdade! 'Bora tratar do Planeta, que parece que ele está mesmo doentinho...
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Livros de volta à prateleira I
Hum... Não achei grande coisa, sinceramente... A história conta o dia-a-dia de crianças abandonadas que percorrem as ruas da cidade brasileira onde vivem, "roubando, brigando e derrubando negrinhas no areal". Acho que retrata bem esta realidade diferente (da minha, pelo menos) mas a história em si é pouco envolvente e os acontecimentos finais precipitam-se, coisa que eu detesto.
Não deixo, no entanto, de recomendar, que mais não seja para que depois também possam dar a vossa opinião :)
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