domingo, 16 de janeiro de 2011

Livros de volta à prateleira XX


"Quando Nietzsche chorou", Irvin D. Yalom

Maravilhoso! Deu-me imenso prazer ler este livro, do início ao fim... Dava por mim com um sorriso nos lábios a meio da leitura ou quando o pousava na mesa-de-cabeceira para a noite seguinte... O final é lindo e surpreendente!

Quem se interessa, ainda que leigamente, por temas associados à Psicanálise, deveria ler esta história que, mesclando factos reais com ficção, faz um desenho muito interessante de como terão nascido as ideias que deram origem a este gigante paradigma da concepção humana. Freud é, inclusivamente, uma das personagens deste livro absolutamente deleitoso.

*Gostei particularmente que chamassem "limpeza da chaminé" à técnica de associação livre (não se é real ou fictício, mas achei uma metáfora deleiciosa).*

Não sabia, mas a obra foi adaptada ao cinema - tenho que ver :)

Agora, as já habituais citações (que, nesta obra, são bastantes):

"Oh! A incessante labuta do intelectual, despejando todo este conhecimento dentro do cérebro através dos três milímetros da abertura da íris."

"(...) os medos não brotam das trevas; pelo contrário, são como as estrelas: estão sempre ali, mas ofuscados pelo clarão da luz do dia."

"Era estimulante desabafar, compartilhar todos os seus piores segredos, contar com a atenção exclusiva de alguém que, na maior parte do tempo, entendia, aceitava e parecia até perdoá-lo. Muito embora algumas sessões o fizessem sentir pior, ansiava inexplicavelmente pela seguinte." - e está definida a psicoterapia!

"Perdoa-se aos amigos com mais dificuldade do que aos inimigos." «O que deverá conter o currículo do futuro "médico da angústia"? De momento, posso ter a certeza de uma cadeira essencial - "relacionamento"! É aí que as coisas se complicam." (de facto, esta temática é transversal a quase todas as cadeiras de um curso de Psicologia).

"Existirá tal coisa como um esquecimento activo - esquecer algo não por não ter importância, mas por ser importante demais?" - existe, e chama-se "recalcamento".

"(...) a vida é uma centelha entre dois vácuos (...)"

"A consciência é apenas uma película translúcida que cobre a existência: o olho treinado vê através dela, vislumbrando forças primitivas, instintos, o verdadeiro motor da vontade de poder." - referência ao inconsciente.

"A avidez do tempo é eterna."

"Cada pessoa tem que escolher a verdade que consegue suportar."

"(...) a chave para viver bem é primeiro, desejar aquilo que é necessário e, depois, amar aquilo que é desejado."

"(...) somos compostos por muitas partes, cada qual clamando por expressão. Podemos apenas ser responsabilizados pelo acordo final, não pelos impulsos caprichosos de cada uma das partes."

SPOILER ALERT: Aquilo que Nietsch imagina que suas lágrimas diriam, se falassem: "Por fim livre! Preso durante todos estes anos! Este homem, fechado e seco, nunca me deixou fluir antes. (...) Que bom estar livre! Quarenta anos numa poça estagnada. Finalmente, finalmente o velho homem fez uma limpeza! Oh! Tanto que quis escapar-me antes! Mas não havia saída... até que este médico vienense abriu o portão enferrujado."



"O retaro de Dorian Gray", Oscar Wilde

Mais uma obra que inspirou um filme (que também ainda não vi, mas não me escapa!). Gostei muitíssimo do modo como o livro está escrito, mesmo os momentos mais descritivos são uma bverdadeira obra de arte em que vale a pena mergulhar. Quanto à história, é simultaneamente incrível e aterradora. Foi um livro que me prendeu absolutamente - desta vez não tenho citações, embora houvesse imensas candidatas, páginas inteiras, até!, mas estava tão embrulhada na história, tão deliciada, que me dediquei ao desfrute absoluto de cada expressão, em vez da análise daquilo que merecia, ou não, destaque no blog. Este não foi tanto um livro de cabeceira, mas mais de comboio - e nem sei como não perdi a minha estação à conta da leitura! Ia acontecendo...!

4 comentários:

Psigma disse...

Carago... Tu lês coisas mesmo muito à frente. Até fico corada de vergonha, quando vejo a tua rubrica dos livros de volta à prateleira :p

Beijinhos*

Cinderela disse...

"Chimney sweeping" foi a expressão que o próprio Freud utilizou (estive atenta nas aulas práticas de Modelos de Personalidade e de Intervenção Psicológica I hehehe). Fiquei com bastante curiosidade quanto ao livro, vou ver se o compro, para quando acabar "O Nome da Rosa", que é o que estou a ler agora.
Quanto ao segundo, é um dos clássicos que está em fila de espera. Cada vez mais sinto que a vida é curta para todos os livros que eu gostava de ler.

Pereska disse...

Andava afastada do Blogger, já não sei há quanto tempo têm a nova estética, mas Gosto! Já tenho mais um livro para a lista de todos os que quero ler

Rafeiro Perfumado disse...

Não conheço, mas a avaliar pelas citações, parece bonzinho.