quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Transportes públicos - a saga III

Já cá faltava a pérola...

De acordo com a minha experiência em viagens de autocarro, o pessoal da Rodonorte e da Santos desistiu de marcar os lugares, vindo inscrito no bilhete Lugar: s/m (sem marcação, portanto). Na viagem para Lisboa tive o cuidado de verificar e, como sempre, não havia lugares marcados (o que muito me agradou, diga-se, desde já)... Porém, na viagem de regresso, não reparei nesse pormenor...

Introduzido o tema, vamos ao relato do que se passou:

Monstra do Jet7: Menina, o seu lugar não é aí, esse é o meu lugar! Tem que se chegar para lá!
Eu, humilde mortal: Ah! Desculpe, não sabia que havia lugares marcados!
Claro que há, há sempre lugares marcados!
(procurando o meu bilhete, para ver o meu lugar) Não, não há. Por exemplo, quando eu vim para cá, não havia lugares marcados...
Há sempre lugares marcados...
(Arre! Mostrei-lhe o meu bilhete de ida, já que foi esse que encontrei, em vez do que tinha acabado de arrumar!) Não, não há. Vê aqui?
Mas há sempre lugares marcados. (!!!! Vai ser cega e teimosa para o raio que te parta! Levantei-me para ir para o lugar do meu bilhete)
Vai sair?
Pois! Vou para o meu lugar!
Ah deixe-se estar aí!
Pode vir alguém com este lugar no bilhete.
Mas pode não vir ninguém. Deixe-se estar.
Deixei-me estar, porque aquele lugar era à janela - que eu prefiro - e o outro não. E também porque a Monstra do Jet7 podia ser chata mas, pelo menos, não cheirava mal. E nunca se sabe o que me esperava no lugar 31...
Sabe, não pode trazer isso (mochila) para aqui.
Posso, sim. Os motoristas deixam sempre.
Mas não devia poder, porque é uma falta de respeito pelo espaço das outras pessoas.
(a passar-me, com a mochila entre as pernas e as pernas bem apertadinhas) Estou a desrespeitar o seu espaço?!
Não. Mas está a desrespeitar o seu.
Não se preocupe com isso... Eu não me importo.
Sabe? É que eu sou hospedeira de bordo da TAP...
(já cá faltava a síndrome do expertise...)
... e, por vezes, os turistas querem levar tudo com eles, mas não podem porque blábláblá e deve pôr-se a bagagem na parte de cima e blábláblá e já viu como eles aqui põe as malas na bagageira? É uma vergonha, são uns brutos, eu arrepio-me toda e blábláblá...
Hum-hum... pois...
Vê?, eu só trago a carteira e estou aqui à vontade....

Constatando que eu não lhe dava grande conversa, calou-se. Menos de duas horas depois, parámos para almoçar. O motorista avisou para estarmos todos no bus às 13h. E não é que chega a hora e (adivinhem quem) ainda não tinha chegado?... E passam 5 minutos... E passam 10... O motorista decide ir em busca da Monstra do Jet7. "Tão cheia de 9 horas para umas coisas...", comenta uma rapariga simpática do outro lado do corredor. O motorista chega com duas mulherzitas. Olhe, nenhuma destas senhoras é a que ia ao meu lado... Não?!, assusta-se o pobre do homem, que tem horários para cumprir. Eu sei quem é a senhora que falta! Eu vou procurá-la! grita um senhor, lá atrás, cheio de vigor. Em menos de nada, aí que vêm três pessoas em desenfreada correria: o homem cheio de vigor, a Monstra do Jet7 e a amiga da Monstra do Jet7. Ai, desculpem (pausa para recuprar o fôlego) perdemos a noção das (nova pausa, novamente para recuperar o fôlego) horas. Depois, em voz mais baixa, mas não tão baixa quanto isso: Sente-se aí! E a amiga da Monstra do Jet7 sentou-se.

E começou. Do Pombal a Vila Real. Tem que ir àquele restaurante (...) Tem que falar com aquele advogado (...) Ai, fui àquele museu e apareceu o Prof. Cavaco com os explicadores e ainda bem, senão não percebia nada do significado das obras de arte. (...) Os temas dos quadros da Paula Rego são diabólicos (...) Ahahahahah (não, a sério, gargalhada sinistra) (...) 'Tá? É a nani! Olha querida já 'tou a chegar! UFA!!!

Para além da falta de respeito que a Monstra do Jet7 demonstrou por todos os passageiros, dificultou imenso o meu adormecimento, com a sua voz assustadora (para não mencionar as gargalhadas - olha! Já mencionei!) e, ainda por cima, acordou-me (e isto é imperdoável!!) quando levantou a sua mala do chão, e me bateu com ela na perna, desrespeitando o meu espaço, sem sequer pedir desculpa... Estranho, para quem estava tão preocupada com a falta de respeito que estava a ter pelo meu próprio espaço...

5 comentários:

Rosa Espartilho de Rótula disse...

Era para protestar com as tuas cores claras, com que escreves os diálogos, mas lembrei-me que sigo o vosso blogue pelo google reader e que o teu fundo é escuro.

Estão A perdoados.

Passaste por Pombal? Cidade? Se sim não digas "O Pombal" mas sim "de Pombal". Ergh

Adorei esta história!! Lamento se se escreve estória se história, tu compreendes.
Fantástico. Tiveste uma paciência de santa. Pandegas dessas há muitas. Também me irritam essas gargalhadas cheias de "requintes" e "finesses" mas que depois se vê que não valem nada.
Se fosse comigo tinha levado umas quantas bocas bem mandadas.

Não percebe obras de arte? Fina como é devia :P
Beijinhos para todos.

Podes fazer uma árvore genealógica da família? Tens um irmão também? Beijinhos ai para cima!

A mais velha disse...

Rosa Espartilho de Rótula, então não lês nunca o que escrevo de branco?... :S é que isso acontece com alguma frequência... Mas compreendo-te: o google reader é extremamente prático :)

ups! Eu digo sempre "a estação de serviço dO Pombal" (nunca passei na cidade, mas na estação de serviço já, algumas vezes)... Por exemplo, um morador de Pombal diz "eu moro em Pombal"?! Soa melhor "no Pombal"... E daí já não sei... Nada me soa bem, neste momento... hehe

Podes crer, nem costumo ter tanta paciência.. hehe

não percebi a tua questão da árvore genealógica... sim, tenho um irmão, O do meio :)

Beijinhos

A mais velha disse...

ups! Pensava que tinha escrito "estação de serviço do Pombal". Afinal não, foi mesmo só do Pombal...!! hehe peço desculpa, foi um lapso!... :p

A mais nova disse...

looooooooool

está a desrespeitar o seu espaço.. ahahahahah! bolas, porque é que quando eu vou em viagem nunca acontece nada de jeito??

é a quarta saga, e não a terceira.

A mais velha disse...

A mais nova, não estás mesmo a queixar-te de não acontecer nada de pavoroso nas tuas viagens pois não??

já te tinha dito que a primeira é a saga zero. ok?